Fundamentos

Viabilidade econômico-financeira
Estudo que projeta receitas, custos e prazos de um empreendimento imobiliário para responder se ele remunera o capital investido. Reúne o preço e o ritmo de venda das unidades, o custo do terreno, o custo de obra, as despesas e os impostos em um fluxo de caixa mensal, do qual saem os indicadores de retorno.
Landbank
Banco de terrenos de uma incorporadora: o conjunto de áreas em prospecção, em negociação ou já adquiridas que sustenta os lançamentos futuros. Gerir o landbank é controlar quanto capital está imobilizado em terra e qual o potencial de VGV que essa terra representa.
VGV (Valor Geral de Vendas)
Soma do preço de venda de todas as unidades de um empreendimento. É a medida de tamanho mais usada no mercado imobiliário. Aparece também como VGV sem permuta (excluindo as unidades entregues ao dono do terreno) e VGV sem comissão (líquido da corretagem).
VGV permutado
Parcela do VGV que corresponde às unidades entregues ao proprietário do terreno como pagamento em permuta física. Não entra como receita de caixa da incorporadora, mas ocupa área construída e consome custo de obra.

Indicadores de retorno

TIR (Taxa Interna de Retorno)
Taxa de desconto que zera o valor presente líquido do fluxo de caixa do projeto. Expressa a rentabilidade do empreendimento em percentual ao ano ou ao mês e é o indicador mais usado para comparar oportunidades entre si e contra o custo de capital da empresa.
VPL (Valor Presente Líquido)
Resultado do projeto trazido a valor presente por uma taxa de atratividade definida pela empresa. VPL positivo significa que o empreendimento remunera o capital acima dessa taxa; VPL negativo, que não remunera.
ROI (Retorno sobre o Investimento)
Relação entre o lucro do empreendimento e o capital efetivamente investido nele. Diferente da TIR, o ROI não considera o tempo — por isso os dois são lidos juntos.
Payback
Momento em que o fluxo de caixa acumulado do empreendimento volta a ficar positivo, ou seja, quando todo o capital investido retornou. Costuma ser expresso em meses contados da data-base do estudo.
Exposição máxima de caixa
Maior valor negativo do fluxo de caixa acumulado do projeto — quanto de dinheiro a empresa precisa ter disponível no pior momento. É o indicador que define se a incorporadora consegue bancar o empreendimento, independentemente de ele ser lucrativo no final.
Equity
Capital próprio que a incorporadora precisa aportar para viabilizar o empreendimento, depois de considerar financiamento à produção, recebíveis e demais fontes de recursos.
Margem
Resultado do empreendimento dividido pela receita, em percentual. A margem a valor presente (margem VP) faz o mesmo cálculo com os valores descontados, o que aproxima a leitura do custo do dinheiro no tempo.

Aquisição de terreno

Permuta física
Forma de pagamento em que o proprietário do terreno recebe unidades do próprio empreendimento em vez de dinheiro. Reduz drasticamente o desembolso inicial e a exposição de caixa, mas diminui o VGV disponível para venda.
Permuta financeira
Forma de pagamento em que o proprietário do terreno recebe um percentual sobre as vendas do empreendimento. O desembolso acompanha a entrada de receita em vez de acontecer na aquisição, aliviando o caixa no início do projeto.
Due diligence de terreno
Conjunto de verificações jurídicas, técnicas e ambientais feitas antes de fechar a compra de uma área: matrícula, certidões, ônus, zoneamento, sondagem, passivos e restrições. É a etapa em que a maior parte dos negócios morre — ou se confirma.

Urbanismo e produto

Coeficiente de aproveitamento (CA)
Índice urbanístico que define quantos metros quadrados podem ser construídos por metro quadrado de terreno. Um terreno de 2.000 m² com CA 4 permite 8.000 m² de área computável. É o primeiro número que determina o tamanho possível do empreendimento.
Área privativa
Área de uso exclusivo de cada unidade, base para o cálculo do preço de venda por metro quadrado. Difere da área construída total, que inclui áreas comuns, circulação e garagens.
Tipologia
Classificação do produto imobiliário: residencial vertical (prédio), residencial horizontal (casas e condomínios), comercial, loteamento ou locação. Cada tipologia tem lógica própria de custo, ritmo de venda e forma de recebimento.
MCMV (Minha Casa Minha Vida)
Programa habitacional federal com teto de valor por unidade e condições específicas de financiamento ao comprador. Empreendimentos enquadrados no programa precisam dimensionar área privativa e preço de forma a respeitar esse teto.

Obra e cronograma

Curva de desembolso
Distribuição do custo de obra ao longo dos meses de construção. Costuma ter formato de S — desembolso lento no início, acelerado no miolo da obra e desacelerando na entrega. Define quando o dinheiro sai do caixa.
Velocidade de vendas (VSO)
Ritmo de comercialização das unidades, geralmente em percentual do estoque vendido por mês. Determina quando a receita entra e, por consequência, o tamanho da necessidade de capital do projeto.
Cronograma físico-financeiro
Planejamento que amarra o avanço físico da obra ao desembolso financeiro correspondente, mês a mês. É a base para liberação de financiamento à produção e para o acompanhamento do realizado.

Funding

Financiamento à produção
Crédito bancário destinado à construção, liberado conforme a obra avança. Durante o período de obra costuma haver apenas pagamento de juros; a amortização ocorre depois, normalmente com o repasse dos compradores.
Crédito associativo
Modalidade em que o comprador financia a unidade ainda na planta e o banco repassa os recursos à incorporadora ao longo da obra. Antecipa receita e reduz a exposição de caixa do empreendimento.
Securitização (CRI)
Antecipação de recebíveis imobiliários por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários. A incorporadora converte parcelas futuras dos compradores em caixa no presente, com deságio.
Capital de giro
Recursos de curto prazo usados para cobrir descasamentos entre desembolso e recebimento durante o projeto. Entra no fluxo como entrada no momento da captação e saída na devolução, com o custo financeiro associado.

Análise e cenários

Data-base
Data de referência do estudo de viabilidade. Todos os valores presentes e a correção monetária são calculados a partir dela, o que permite comparar estudos feitos em momentos diferentes.
Análise de sensibilidade
Teste de quanto o resultado do projeto muda quando as premissas variam. A forma mais usada no mercado imobiliário é uma matriz cruzando variação de preço de venda com variação de custo de obra, mostrando o efeito de cada combinação sobre TIR, resultado e exposição.
Realizado x replanejado
Comparação entre o que efetivamente aconteceu no empreendimento — importado do ERP — e a nova projeção do que ainda vai acontecer. É o que mantém a viabilidade viva depois da aprovação do projeto, em vez de deixá-la virar um arquivo estático.
Indexador
Índice usado para corrigir valores ao longo do tempo, como INCC, IGP-M ou IPCA. Na viabilidade serve para atualizar custos de obra e parcelas de venda entre a data-base e o cenário analisado.

Estudo de mercado

Setor censitário
Menor unidade territorial usada pelo Censo brasileiro para coletar e divulgar dados. Agregando os setores dentro de um raio a partir do terreno é possível estimar renda, perfil dos domicílios e potencial de consumo do entorno.
Potencial de consumo
Estimativa do volume de gasto anual das famílias de uma região. No estudo de mercado ajuda a dimensionar a capacidade de absorção do produto pela vizinhança do terreno.

Atualizado em 25 de agosto de 2026.

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