Que dados precisam trafegar entre a viabilidade e o ERP

Integração começa com uma lista, não com uma ferramenta: quais informações precisam sair de um lado e chegar ao outro, em que sentido e com que frequência. Sem essa definição, projetos de integração viram tentativas de conectar tudo com tudo, o que produz complexidade sem entregar a comparação que se queria. Este artigo mapeia os dois fluxos e os cuidados de cada um.

Que dados precisam trafegar entre a viabilidade e o ERP

Definição
Fluxo de dados entre viabilidade e ERP é o conjunto definido de informações que circulam entre o modelo de planejamento de um empreendimento e o sistema que registra sua execução, com sentido, frequência e fonte oficial estabelecidos para cada item.

Do estudo para o ERP

No momento do lançamento, o que foi aprovado precisa se tornar a referência dentro do sistema de execução:

DadoO que carregaPara que serve no ERP
Estrutura do empreendimentoFases, blocos, unidades e tipologiasBase do cadastro comercial e da apropriação de custo
Orçamento por etapaCusto previsto distribuído nas etapas da obraReferência de comparação com o custo incorrido
Cronograma aprovadoEtapas, durações e precedênciasLinha de base para medir o avanço físico
Curva de desembolsoDistribuição prevista do gasto no tempoAlimenta a projeção de caixa da execução
Tabela de preçosValor por unidade, tipologia e posiçãoBase comercial e referência do preço praticado
Plano de pagamento previstoEntrada, parcelas, reforços e saldoComparação com as condições efetivamente concedidas
Premissas de mercadoVelocidade de vendas e prazo de comercialização estimadosReferência para acompanhar o desempenho comercial
Margem aprovadaResultado projetado que justificou a aprovaçãoBase para a revisão periódica da margem

A oitava linha é a que menos costuma trafegar e a mais importante para a gestão. Sem a margem aprovada registrada dentro do sistema de execução, não existe referência contra a qual comparar a margem revisada — e a pergunta central do acompanhamento fica sem resposta possível.

Se a margem que justificou a aprovação não está no sistema que executa, ninguém vai perceber quando ela deixar de existir.

Do ERP para o estudo

Durante a execução, o realizado precisa retornar para alimentar a comparação e a revisão:

DadoO que carregaPara que serve no estudo
Custo incorridoGasto apropriado por etapa e períodoComparação com o orçado e projeção do custo final
Avanço físicoPercentual executado por etapaBase para separar desvio de ritmo de desvio de preço
Compromissos assumidosContratos firmados ainda não pagosMelhora a projeção do custo restante
Vendas realizadasUnidades vendidas por período e tipologiaComparação com a velocidade prevista
Preço praticadoValor efetivo por unidade, líquido de descontosMedição da erosão de receita em relação à tabela
Condições concedidasEntrada, parcelamento e prazos efetivamente acordadosAjuste da curva de recebimento projetada
Recebimento realizadoEntrada de caixa efetiva por períodoConfronto com o fluxo previsto
Inadimplência e distratosSituação da carteira e contratos desfeitosCorreção da projeção de receita futura
Andamento do licenciamentoEtapas concluídas e pendentesRevisão de prazo e de custo de carregamento

A terceira linha é frequentemente esquecida e distorce a projeção. Custo incorrido descreve o que já foi consumido; compromissos assumidos descrevem o que já está contratado e vai ser pago. Projetar o custo final sem considerar o que já está comprometido subestima sistematicamente o desembolso restante.

Quem é a fonte oficial de cada dado

Alguns dados existem nos dois lados, e é preciso definir qual manda. A regra prática é simples: o dado pertence a quem o gera.

1O estudo é fonte das premissas e do plano
Orçamento aprovado, cronograma de referência, tabela inicial, margem esperada. Esses valores não devem ser alterados pelo ERP — eles são a linha de base preservada.
2O ERP é fonte do realizado
Custo incorrido, avanço físico, vendas, preço praticado, recebimento e inadimplência nascem da operação e não devem ser editados no estudo.
3A comparação é derivada, não é fonte
Desvios e margem revisada são resultado do cruzamento entre os dois. Não devem ser lançados manualmente em nenhum dos lados, sob risco de divergir das bases que os originam.
4Alterações de plano criam nova versão, não sobrescrevem
Quando há replanejamento, o novo plano entra como versão adicional. A linha de base original permanece, preservando a capacidade de medir o desvio acumulado.
5Cada dado tem uma data
Registrar quando cada informação foi atualizada é o que permite saber se uma comparação está usando dados do mesmo momento.

O terceiro item evita um problema comum: relatórios de acompanhamento montados à parte, que passam a divergir dos sistemas de origem. Quando alguém corrige manualmente um número no relatório para “ficar certo”, a comparação deixa de ser auditável.

Todo número que alguém digita manualmente em um relatório de acompanhamento é um número que vai divergir da origem em algumas semanas.

Com que frequência cada dado trafega

FluxoFrequência adequadaMotivo
Estrutura, orçamento e cronograma aprovadosNo lançamento e a cada replanejamentoSão referências estáveis, não devem oscilar
Custo incorrido e compromissosMensal, no ciclo de mediçãoAcompanha o ritmo natural de apuração da obra
Avanço físicoMensalCompatível com a medição e com a análise de valor agregado
Vendas, preço e condiçõesMensal, com leitura semanal de volumePermite reagir à política comercial antes do estoque ser afetado
Recebimento e inadimplênciaSemanalA carteira se movimenta diariamente
Margem revisadaTrimestral, ou a cada desvio relevanteExige consolidação de todas as dimensões

O alinhamento que precede a integração

Antes de qualquer conexão técnica, três definições precisam existir, e elas são de processo, não de tecnologia:

  • Identificação comum do empreendimento e suas partes. Fases, etapas e unidades precisam ter a mesma identidade nos dois lados, ou nenhuma comparação é direta.
  • Plano de contas ou classificação de custo compatível. As categorias do orçamento precisam corresponder às categorias de apropriação do custo. É o ponto que mais trava integrações na prática.
  • Critérios equivalentes de medição. O que o estudo considera concluído em uma etapa precisa corresponder ao critério que a obra usa para medir avanço.

Empresas que resolvem essas três definições antes de integrar obtêm uma comparação que se atualiza sozinha. As que integram primeiro e alinham depois acabam com uma conexão técnica funcionando e uma conciliação manual permanente ao lado dela.

Esse mapeamento é a resposta prática para por que a viabilidade e o ERP precisam conversar em vez de operar como sistemas isolados, e ele também sustenta o acompanhamento do estudo de viabilidade depois do lançamento. Fluxos bem definidos evitam a redigitação dos mesmos números duas vezes e são, no fundo, uma questão de governança de dados entre as áreas. Por fim, quão bem esses fluxos estão desenhados é o que deve orientar a decisão sobre manter a viabilidade dentro ou fora do ERP como arquitetura.

Perguntas frequentes

Que dados vão do estudo de viabilidade para o ERP?

A estrutura do empreendimento com fases, unidades e tipologias; o orçamento distribuído por etapa; o cronograma aprovado como linha de base; a curva de desembolso prevista; a tabela de preços; o plano de pagamento previsto; as premissas de velocidade de vendas; e a margem aprovada, que serve de referência para todas as revisões posteriores.

Que dados vão do ERP para o estudo?

Custo incorrido apropriado por etapa, compromissos já assumidos ainda não pagos, avanço físico, vendas realizadas, preço efetivamente praticado líquido de descontos, condições de pagamento concedidas, recebimento realizado, inadimplência e distratos, e o andamento do licenciamento.

Por que registrar os compromissos assumidos, e não apenas o custo incorrido?

Porque custo incorrido descreve o que já foi consumido, enquanto compromissos assumidos descrevem o que já está contratado e será pago. Projetar o custo final considerando apenas o incorrido subestima sistematicamente o desembolso restante, especialmente em fases de obra com muitas contratações recentes.

Como definir a fonte oficial de cada dado?

Pelo princípio de que o dado pertence a quem o gera. O estudo é fonte das premissas e do plano — orçamento, cronograma de referência, tabela e margem aprovada. O ERP é fonte do realizado — custo, avanço, vendas, preço praticado e recebimento. A comparação entre os dois é derivada e nunca deve ser lançada manualmente em nenhum dos lados.

O que precisa estar alinhado antes de integrar os sistemas?

A identificação comum do empreendimento e de suas partes, para que fases, etapas e unidades sejam as mesmas dos dois lados; a compatibilidade entre a classificação de custo do orçamento e a da apropriação no ERP; e critérios equivalentes de medição de avanço. Sem essas três definições, a integração técnica funciona e a conciliação manual permanece.